Antes de arrendar o seu imóvel: lista para percorrer com calma
Comece pelos documentos do imóvel
Antes de pensar em rendas ou inquilinos, convém reunir os papéis da casa. Na nossa experiência, é aqui que surgem os atrasos: uma caderneta predial desatualizada, uma licença de utilização que ninguém sabe onde está, uma certidão permanente por pedir. Nenhum destes documentos é complicado, mas alguns demoram semanas a obter, sobretudo em imóveis herdados.
Em meados de outono, muitos proprietários aproveitam o regresso à rotina para tratar do assunto. É um bom momento, desde que o faça por ordem e sem decidir nada antes de ter os papéis na mão. Esta lista serve para isso mesmo: percorrer cada ponto, assinalar o que falta e só depois escolher o caminho.
Se o imóvel veio de uma herança, confirme que a partilha está concluída e que o registo está em nome de quem vai arrendar. Arrendar sem essa regularização pode trazer problemas mais tarde, sobretudo quando há vários herdeiros.
Veja o estado real da casa
Percorra a casa divisão a divisão, com um caderno na mão, como se fosse visitá-la pela primeira vez. Humidades, canalizações antigas, instalação elétrica desatualizada, janelas que não vedam: tudo isto influencia o valor que pode pedir e a facilidade de encontrar quem queira ficar. Um problema que parece pequeno hoje pode tornar-se numa discussão com o inquilino daqui a seis meses.
Anote o que precisa de arranjo urgente, o que pode esperar e o que não vale a pena mexer. Pedir dois orçamentos para as obras mais relevantes ajuda a perceber quanto vai gastar antes da primeira renda. Não se trata de deixar a casa nova, mas de a entregar em condições que possa descrever com honestidade no contrato.
Tire fotografias datadas de cada divisão e dos equipamentos que ficam. Este registo, feito antes da entrada do inquilino, protege os dois lados.
Faça as contas aos custos e à renda
A renda é só uma parte da conta. Do lado das despesas, conte com o IMI, o condomínio, o seguro, a manutenção corrente e algum período em que a casa possa ficar vazia entre inquilinos. Do lado dos rendimentos, a renda é tributada, e a forma como isso se aplica depende da sua situação. Convém perguntar a um contabilista ou ao serviço de Finanças antes de fixar um valor.
Para chegar a uma renda razoável, olhe para anúncios de imóveis parecidos na mesma zona, com a mesma tipologia e o mesmo estado. Desconfie de valores que parecem demasiado bons: uma casa anunciada acima do mercado fica meses sem resposta, e esses meses também custam dinheiro.
Escreva num papel o rendimento líquido que espera ao fim de um ano, já com as despesas descontadas. Se o resultado não compensar o trabalho e o risco, vale a pena comparar com outras utilizações antes de avançar.
Leia o contrato antes de o assinar
O contrato de arrendamento tem de ser escrito e regista direitos e deveres dos dois lados. Leia cada cláusula com atenção: duração, valor da renda, forma de atualização, prazo de aviso para terminar, caução e quem paga cada tipo de obra. Se algo não estiver claro, peça que seja reescrito em linguagem simples antes de assinar.
Pergunte-se também que tipo de contrato faz sentido para si. Um prazo mais longo dá estabilidade, mas prende o imóvel; um prazo mais curto dá liberdade, mas obriga a procurar inquilino com mais frequência. Não existe resposta certa para todos, e depende do que pretende fazer com a casa nos próximos anos.
Guarde uma cópia assinada, o inventário do que fica na casa e as fotografias tiradas à entrega das chaves. Parece burocracia, mas costuma poupar discussões.
Em caso de dúvida jurídica concreta, procure um advogado ou solicitador. A nossa orientação explica os passos e os cuidados, mas não substitui essa consulta.
Pense em quem vai viver na casa
Escolher o inquilino é uma decisão tão importante como fixar a renda. Peça os documentos que sejam razoáveis: identificação, comprovativos de rendimento, contactos de anteriores senhorios, se existirem. Uma conversa pessoal antes de assinar diz muitas vezes mais do que uma folha de papel, e deve ser feita com respeito e sem pressas.
Convém também decidir antecipadamente como quer comunicar durante o arrendamento. Quem trata das avarias? A quem liga o inquilino se houver uma fuga de água de noite? Quem vai à casa e com que aviso? Definir isto no início evita mal-entendidos e mantém a relação tranquila.
Se não vive perto do imóvel, considere quem o pode visitar de vez em quando ou receber chamadas por si. Um vizinho de confiança ou um familiar pode ser suficiente para as situações simples.
Decida só depois de comparar
Com os papéis reunidos, o estado da casa avaliado, as contas feitas e o contrato lido, resta a pergunta mais importante: o arrendamento é mesmo o melhor uso para este imóvel? Pode ser. Mas também pode fazer mais sentido uma utilização temporária, uma reorganização de espaços ou até manter a casa para a família durante mais algum tempo.
Não há pressa em decidir. Um imóvel bem preparado mantém as opções abertas, e esse é o principal ganho desta lista: chegar ao momento da decisão com informação clara em vez de dúvidas soltas.
Se quiser, pode levar estas notas a uma consulta e percorrê-las connosco ponto por ponto, imóvel a imóvel.
Arrendar bem começa muito antes de publicar um anúncio. Reunir os documentos, olhar para a casa com olhos de visitante, calcular custos reais, ler o contrato e pensar em quem vai viver lá são passos simples, mas que merecem tempo. Se, no fim da lista, ainda tiver dúvidas, é sinal de que vale a pena conversar antes de decidir. Estamos disponíveis para isso, com calma e por escrito.